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Alienação Parental: Sofrimento, Humilhação, Exclusão, Mentiras e Superação!

10 out 2017

Alienação Parental: Sofrimento, Humilhação, Exclusão, Mentiras e Superação!

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Alienação Parental

Anteriormente eu falei sobre a Guarda Compartilhada e toda a delicadeza que envolve a decisão deste processo. Geralmente os casais estão se separando e raramente este evento ocorre de forma consensual. Na maioria dos casos, envolve bastante conflito e por não haver condições de fazerem acordos de modo que os genitores se sintam legitimados em suas necessidades, acabam por levar a situação aos operadores do Direito.

A Alienação Parental ocorre quando um dos genitores provoca o afastamento do outro genitor. Segundo Alan Minas que dirigiu e redigiu o texto do documentário “A Morte Inventada”, a Alienação parental significa “Matar a imagem do outro dentro de alguém”. Geralmente o Alienador é aquele que na dor de ter sido traído, prejudicado ou rejeitado pelo outro genitor pratica impiedosamente a alienação. A partir desta configuração de conflito, o Alienador tenta a todo custo, alterar a percepção da criança quanto ao seu genitor Alienado.

A necessidade de desqualificar o outro enquanto pai/mãe vem em forma de vingança. Por meio do controle, a pessoa tenta fazer com o que o outro genitor deixe de ter importância na vida da criança ou tenta fazer com que a criança não considere o outro como alguém necessário em sua própria vida. Cria-se uma verdade sobre este alienado e com base nesta convicção, o genitor ou genitora que aliena, promove situações para remover toda a credibilidade deste pai ou mãe, consequentemente à criança experiência um sofrimento emocional muito grande que pode lhe trazer danos à estrutura psicológica e comprometer a saúde mental.

A Síndrome de Alienação Parental se refere a essas consequências emocionais e comportamentais apresentadas pela criança que está inserida neste contexto.  Ela começa a ter dúvidas sobre o quanto pode ser amada, com o medo de decepcionar o alienador e supostamente acreditando que somente ele pode lhe amar, uma vez que acredita ter sido abandonada afetivamente pelo outro, ela começa a reproduzir discursos semelhantes ao que houve do alienador.

Caso a criança esteja muito chorosa, colérica, agressiva, aderindo ao comportamento de mentir, em alguns casos apresentando sintomas fisiológicos recorrentes (gripes, alergias, esquecimentos, desânimo) ou dificuldades parar decidir sobre entre uma coisa e outra, pode ser que ela esteja sendo vítima de alienação.

Seguem alguns sinais da prática da Alienação Parental:

  • Limitar o contato da criança com o genitor
  • Pequenas punições sutis e veladas quando a criança expressa satisfação ao se relacionar com o alienado
  • Fazer com que a criança acredite que foi abandonada e que não é amada
  • Induzir a criança a escolher entre um e outro
  • Criar a impressão que o alienado seja perigoso
  • Reter telefonemas, presentes ou recados do alienado
  • Abreviar o tempo de visitação por motivos fúteis.

Carta de desabafo sobre duas vítimas de Alienação Parental

“Nasci em uma família humilde que lutava para sobreviver na grande São Paulo. Meu Pai nos abandonou (minha mãe, irmã e eu) para viver com outra mulher, pelo menos foi o que me disseram e fizeram acreditar durante toda a minha vida. Minha mãe dizia que ele não prestava e que nos trocou.
Depois de um tempo separada, minha mãe se amigou com meu padrasto um homem super dominador, cheio de vícios e agressivo. Que sempre nos oprimia e nos podava de muitas coisas, aparentemente com o consentimento da minha mãe, pois ela nunca se opunha.

Temos tantas lembranças ruins desse período, digo “temos”, pois minha irmã e eu temos as mesmas marcas, mesmo com olhares diferentes, pois para ela a “culpa” é do nosso pai (por ter nos abandonado quando crianças) e para mim a culpa é da nossa mãe (por ter se submetido e permitido tantas barbaridades feitas pelo nosso padrasto e em muitas sendo até cúmplice).

Fomos vítimas de todo tipo de abusos, não havia espaço para o diálogo. Certa vez o meu padrasto me fez comer papel por não escrever na linha (depois foi descoberto que eu precisava usar óculos, pois, não enxergava muito bem). Em outra situação a fez a minha irmã comer casca de frutas (por não jogá-las no lixo), teve a cara enfiada dentro da privada cheia de fezes (por não dar a descarga pelo racionamento e medo do barulho da descarga). Além disso, apanhávamos todos os dias (por ficar brincando na rua e não fazer as tarefas de casa) e de diversas formas com chinelo, cinta, panela de ferro e borracha de pneu. Mesmo com todo esse tratamento cresci aprendendo a odiar meu pai e a venerar o nosso padrasto, afinal ele era o mantenedor da casa e quem nos assumiu como “filhas”.

Lembro-me com muita indignação de mais uma das situações humilhantes que passávamos: matávamos pulgas e carrapatos para ganhar centavos por cada um deles, então era uma busca frenética por eles, tirávamos dos cachorros e dos buracos dos blocos da parede. Ratos, baratas, lesmas, lagartixas e carrapatos conviviam conosco normalmente e por mais que tentássemos acabar com eles não dávamos conta, pois o local não ajudava. Morávamos em uma área livre que ficava ao lado de um antigo aterro sanitário.

Depois de 9 anos minha mãe faleceu e meu pai reapareceu em nossas vidas querendo a nossa guarda. Mas por influência do que ouvíamos e fomos ensinadas a acreditar, que o pai era um “cafajeste”, sim o chamávamos assim mesmo sem saber direito o significado dessa palavra, escolhemos perante o juiz ficar com o padrasto, pois, o mesmo dizia que se escolhêssemos ficar com o “cafajeste” acabaríamos na fundação casa.
A partir daí ele sentiu-se nosso dono e não poupou nos abusos moral, intelectual, físico e sexual. Sempre com a desculpa de estar sob o efeito do álcool, mas continuamos crescendo e passando a entender melhor essa situação que por vezes nos parecia natural, pois era o que conhecíamos e estávamos acostumadas a vivenciar desde a época da minha mãe.

Após alguns anos da morte da minha mãe, conseguimos nos livrar do meu padrasto e há cerca de 4 anos reencontramos nosso pai biológico nas redes sociais. Inicialmente tivemos alguns encontros com ele que parecia estar super feliz e querer recuperar o tempo perdido, depois fomos aumentando o contato e passando a conviver com ele, mas eu em especial não me sentia bem, afinal aprendi a odiá-lo. Com o tempo pude entender melhor a decisão tomada pelo meu pai naquela época e o motivo de sua felicidade e empolgação ao nos reencontrar depois de adultas. E claro tirá-lo da situação de culpado.

Hoje tenho uma vida tranquila, me formei, tenho um trabalho estável, minha irmã também está muito bem e com a dádiva ter sido mãe. Enquanto todos acreditavam que teríamos uma vida pior do que a que vivemos, nós conseguimos dar a volta por cima. Hoje faço psicoterapia e aprofundo dia a dia o entendimento de tudo isso na minha vida”.

                                                                                                Fim

Conclusão

O processo de separação por si só é bastante doloroso, diante do exposto, é de extrema importância poupar a criança de situações e conflitos que desrespeito somente ao casal, evitando assim problemas que manifestados na vida adulta, serão difíceis de reverter.

É válido lembrar que o tratamento psicológico é de fundamental importância para alcançar a ressignificação da história.

Orientação

Em caso de suspeita de Alienação, recomenda-se orientação Psicológica com Psicólogos especialista em Psicologia Jurídica.

Agradecimentos

Agradeço a S.D.R que aceitou o convite de compartilhar um pouco de toda a sua história na esperança de que poderá ajudar muitas outras pessoas.

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Psicóloga Eloiza Rodrigues

Pós Graduada em Psicologia Jurídica

www.eloizarodrigues.com.br

Email: contato@eloizarodrigues.com.br

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