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24 jan 2019

A importância de Soft Skills para os Profissionais de TI e as contribuições da Psicologia.

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O mundo do trabalho se transforma constantemente e, em função de mudanças geradas por novas tecnologias,  muitas áreas profissionais deixaram (ou deixarão) de existir e outras tiveram que se reinventar.  Não obstante, somos convocados – enquanto sujeito que se lança ao mundo do trabalho –  a repensar a maneira de oferecer a nossa mão de obra ao mercado e, mais ainda, enquanto elemento pertencente a um núcleo, a revisar as nossas competências comportamentais.

Uma pesquisa sobre desafios e qualificações dos profissionais de TI (Tecnologia da Informação), realizada por Iegi e Bridi (2014),  ressalta o debate sobre qualificação e desqualificação do trabalhador na era informacional  e sobre as mutações nas formas de produção e do mercado. Braverman e Offe (2001), citados pelas autoras, argumentam  que  nesse contexto de mudanças pode haver uma progressiva desqualificação do trabalhador, em virtude do aprofundamento da divisão técnica e social, da produção acelerada e da diminuição da oferta de trabalho.  

Se as mais diversas áreas do mercado sofrem com o ritmo acelerado das mudanças tecnológicas, como fica o setor de TI, ou melhor, como os profissionais de TI lidam com as novas exigências requeridas pelo setor?

Segundo Bridi e Motim (2014), o  setor de TI é bastante heterogêneo, com atividades e funções muito diferenciadas entre si. Os profissionais são desafiados a processos de aprendizagens contínuos. Hoje,  os conhecimentos técnicos adquiridos na formação acadêmica ou através de certificações não são suficientes. Aliadas ao   saber técnico, um conjunto de habilidades e competências comportamentais, as soft skills, são de grande importância ao exercício da profissão.

Em épocas remotas, a persona do profissional de TI, tinha características de timidez e introversão e com interesse voltado predominantemente para conhecimentos técnicos. Ao longo dos anos, com as necessidades do mercado, além dessas, outras  competências foram sendo demandadas.

Atualmente, é esperado do  profissional de TI contribuições capazes de  ultrapassar as suas especialidades técnicas. O mercado pede profissionais com capacidade de comunicação, escuta, de interação e participação em todo processo de trabalho. Se antes ele era visto como uma célula que funcionava isoladamente, hoje esse profissional precisa compreender e atuar como parte do todo e contribuir de modo acessível e com disponibilidade para aprender e ensinar.

Salume e Barbosa (2015) escreveram um artigo com o objetivo de analisar a influência de habilidades comportamentais – soft skills – no gerenciamento das partes interessadas (stakeholders) em condução de projetos de TI. Trivellas e Drimoussis (2013) citados pelos autores,  ressaltam que há um movimento evolutivo de trabalhos baseados  em comportamentos e ou em fatores emocionais. Além disso, Salume e Barbosa (2015) relatam que a Associação Internacional de Gerenciamento de Projetos (2006) identificou quinze competências comportamentais de grande importância aos profissionais de projetos de TI, dentre elas: liderança, engajamento e motivação, autogestão, assertividade, relaxamento, abertura, criatividade, orientação para resultados, negociação, resolução de crises e conflitos.

É importante ressaltar que alguns profissionais de TI, com características mais rígidas e aparentemente inflexíveis, precisam desenvolver algumas habilidades sociais, pois provavelmente apresentam comportamentos aprendidos de bastante rigidez (BECK, 2013).  Segundo Beck (2013), o ser humano em seu processo de desenvolvimento aprende a construir alguns comportamentos que passam a se repetir de forma padronizada, como se tivessem um modelo a ser seguido, porém o autor afirma que alguns comportamentos (especialmente os que promovem certo prejuízo social e pessoal) podem ser descontruídos e substituídos por outros.  

Diante das exigências atuais sobre o profissional de TI e da necessidade de expansão comportamental, é preciso ir em busca de recursos favoráveis para o desenvolvimento de habilidades sociais. Dois caminhos importantes para tal desenvolvimento estão relacionados ao desejo de mudança através do auto conhecimento. Esse processo evolutivo pode ocorrer através de  acompanhamento psicológico e/ou por meio do teatro. Em ambos, embora ocorra por vezes de forma diferente, é possível alcançar habilidades de escuta ativa e atenciosa, comunicar-se de modo a influenciar e se deixar influenciar por meio  de critérios que lhe sejam favoráveis, colaboração e convívio em equipe – considerando as próprias necessidades e as necessidades coletivas. Na psicoterapia Cognitivo Comportamental o processo de auto conhecimento ocorre através de técnicas que promovem  a ressignificação (Pensamento X Emoção X Comportamento) interna, resultando em mudanças comportamentais.  Já no teatro, ocorrem vivências em vários níveis que levam o indivíduo a experimentar a capacidade de utilizar a intuição, a improvisação e a percepção sobre si mesmo.

As habilidades sociais formam um conjunto de respostas comportamentais que promovem espontaneidade e pró-atividade, resultando em respostas que facilitam a iniciação e a manutenção de relacionamentos – sociais, pessoais e profissionais – com possível impacto positivo. Desse modo, é visto que o profissional de TI, assim como qualquer outro profissional, precisa ter em si o desejo de mudança para que as novas exigências de mercado não sejam em si o fim, mas um processo continuo de transformação e desenvolvimento humano.

AUTORAS

DENISE FUKUYAMA SANCHES

Psicóloga e Analista de TI

email: fukuyamadenise@gmail.com

 

ELOIZA RODRIGUES

Psicóloga Clínica Pós Graduada em Psicologia Jurídica

www.eloizarodrigues.com.br

email: contato@eloizarodrigues.com.br

 

Referências

Ieger E.M & Bredi M. A. (2014). Profissionais de T.I: Perfil e o Desafio da Qualificação Permanente. Disponível em: <http://www.periodicos.ufpb.br/ojs/index.php/abet/article/view/25676>

Salume P. K. & Barbosa M. W. (2015). Uma Análise da Influência das Soft SKills no Gerenciamento das Partes Interessadas. Disponível em: https://www.researchgate.net/publication/320618256_UMA_ANALISE_DA_INFLUENCIA_DAS_SOFT_SKILLS_NO_GERENCIAMENTO_DAS_PARTES_INTERESSADAS

Del Prette, Zilda & Del Prette, Almir (2009). Psicologia das Habilidades Sociais: Diversidade teórica e suas implicações/Editora Vozes.

Beck, Judith (2013). Terapia Cognitivo Comportamental: Teoria e Prática/Editora Artmed.

 

 

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